Mais cedo, a Assembleia de Especialistas havia anunciado a escolha o novo líder, mas o nome do escolhido não havia sido revelado.
Também neste domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse canal americano ABC que quem for escolhido para liderar o Irã “não vai durar muito” se não receber sua aprovação prévia.
“Se ele não tiver nossa aprovação, não vai durar muito”, disse Trump à ABC News. “Queremos garantir que não tenhamos que voltar a cada 10 anos, quando não houver um presidente como eu que faça isso”.
Questionado se estaria disposto a aprovar alguém com ligações ao antigo regime, Trump respondeu: “Sim, para escolher um bom líder, eu aprovaria. Há inúmeras pessoas que poderiam se qualificar”.
Mojtaba Khamenei sucederá o pai, o aiatolá Ali Khamenei, que morreu no dia 28 de fevereiro em ataques de Israel e dos Estados Unidos.
Desde 1989, Khamenei era o líder supremo do país. Ele sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini, responsável por instituir a república islâmica no Irã.
Antes, Khamenei ainda foi presidente do Irã, de 1981 a 1989.
O aiatolá nasceu em 1939. Quando jovem, participou de protestos contra o reinado de Mohammad Reza Pahlavi. Khamenei foi um dos líderes da Revolução Iraniana, de 1979.
Como líder supremo do Irã, Khamenei reprimiu brutalmente uma série de protestos. Em 1999, o governo iraniano suprimiu a mobilização estudantil. Da mesma forma, em 2009, as manifestações desencadeadas por eleição presidencial controversa foram sufocadas. Outra onda de contestação em 2019 foi neutralizada.
Mais recentemente, Teerã reprimiu duramente o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”. Do final de 2022 ao início de 2023, diversas manifestações assolaram o Irã após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente infringir o código de vestimenta imposto às mulheres.
Quem é o novo líder supremo
Mojtaba Khamenei nasceu em 1969, em Mashhad, segundo filho mais velho do último líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Estudou em seminários religiosos em Qom e seguiu carreira clerical no xiismo duodecimano. Embora não ocupe cargos formais de alto escalão, é amplamente considerado influente nos bastidores da política iraniana. Analistas apontam sua proximidade com a Guarda Revolucionária e seu papel em redes conservadoras do regime. Raramente aparece em público e mantém perfil discreto.
Ganhou influência após ajudar a organizar a repressão aos protestos da “Onda Verde” em 2009, ligados às eleições contestadas que mantiveram Mahmoud Ahmadinejad no poder. Considerado linha-dura, sua eventual liderança indica pouca ou nenhuma mudança política no país. Israel já afirmou que qualquer novo líder iraniano poderá se tornar alvo militar.
*Com Estadão Conteúdo e AFP





