Na véspera de encontro entre Lula e Trump, Câmara pode votar PL dos minerais críticos


A Câmara dos Deputados pode votar nesta quarta-feira (6) o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no país para exploração de minerais críticos e estratégicos no país, entre eles as terras raras.

O relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), apresentou, na segunda-feira (4), os principais pontos do texto que estabelece uma estratégia para a gestão desses bens minerais.

A proposta busca garantir que a exploração e o beneficiamento ocorram no Brasil, reduzindo a exportação de minério bruto e incentivando o desenvolvimento tecnológico no país.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, só cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

O que prevê o projeto

O Projeto de Lei 2780/24, do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), institui uma política para fomentar a pesquisa, lavra e transformação de minerais críticos e estratégicos de maneira sustentável.

A medida visa fortalecer a participação brasileira no mercado de minerais relacionados à transição energética, como o lítio (usado em baterias), e à produção de fertilizantes, como o potássio. O texto ainda prevê incentivos fiscais e criação de políticas específicas para cada mineral.

A proposta traz limitações à exportação de minerais brutos sem processamento e cria um sistema de incentivos fiscais progressivos. Ou seja, quanto mais a empresa avança nas etapas de beneficiamento dentro do Brasil, maiores os benefícios que recebe.

O texto cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que terá três instrumentos de planejamento de longo prazo: o Plano Nacional de Mineração, a Política Industrial e o Plano Nacional de Fertilizantes.

Segundo o autor da proposta, há uma “força-tarefa” na Casa para tentar aprovar o texto até esta quarta-feira. Se aprovado, o projeto seguirá para o Senado para análise.

Terras raras e minerais estratégicos

Conhecidos pelo potencial para impulsionar a transição energética, terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando cada vez mais protagonismo global. Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), os minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países, importantes por serem imprescindíveis para produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Já os chamados elementos terras raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio. São essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.

A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. As terras raras, por sua vez, também podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto.

Terras raras e minerais estratégicos

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento.

Reunião Lula-Trump

A Casa Branca confirmou na terça-feira (5) o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. O encontro está marcado para acontecer na quinta-feira (7), em Washington, e o tema dos minerais críticos deve entrar na pauta.

Às vésperas da reunião, o governo tenta reforçar o controle federal sobre recursos estratégicos, sinalizando que o país está estruturando uma política própria para o setor.

O tema é estratégico para Brasil e Estados Unidos. No entanto, os dois países têm posições diferentes sobre a exploração de minerais críticos.

Enquanto o governo norte-americano defende facilitar o acesso a projetos de mineração, especialmente de terras raras, com menos barreiras a investimentos estrangeiros e licenciamento ambiental mais ágil, o governo brasileiro defende maior controle estatal sobre esses projetos.

A reunião entre eles já tinha sido adiantada pela Jovem Pan, que informou que a visita do presidente brasileiro a Washington será marcada por um formato mais direto e pragmático, sem grandes cerimônias de Estado.

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Esse será o segundo encontro entre os dois líderes, que têm um histórico de relações turbulentas.

*Com informações da Agência Brasil e da Agência Câmara de Notícias 

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