Irã ataca navio dos EUA em Ormuz, diz agência estatal; governo Trump nega


A mídia iraniana afirmou nesta segunda-feira (4) que um navio da Marinha dos Estados Unidos foi alvo de dois mísseis no Estreito de Ormuz, após o presidente Donald Trump anunciar que forças americanas passariam a guiar embarcações pela região.

Segundo a agência de notícias semiestatal Fars, o navio navegava próximo ao porto de Jask e teria desrespeitado regras de navegação e segurança marítima.

Ainda de acordo com a publicação, o ataque ocorreu após a embarcação ignorar um aviso emitido pela Marinha iraniana.

Trump declarou que os Estados Unidos iniciariam nesta segunda-feira a escolta de navios pelo estreito estratégico, que antes da guerra no Oriente Médio era uma das principais rotas de transporte de petróleo, gás e fertilizantes. A região permanece sob forte tensão após o bloqueio imposto pelo Irã.

Estados Unidos nega ataque

Pouco depois, o Comando Central dos EUA negou qualquer ataque e afirmou que nenhuma embarcação americana foi atingida. Segundo o órgão, as forças do país seguem apoiando o “Projeto Liberdade” e mantendo o bloqueio naval aos portos iranianos.

Até o momento, não há registro de danos ou vítimas.

Irã usou drones, dizem os Emirados Árabes

Após a ação, os Emirados Árabes Unidos afirmaram nesta segunda-feira que o Irã disparou dois drones contra um petroleiro ligado à estatal ADNOC no Estreito de Ormuz e condenaram o ataque.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou a ação como um ato de “pirataria” por parte da Guarda Revolucionária iraniana, ao acusar Teerã de usar a rota marítima como instrumento de coerção econômica. Segundo as autoridades, não houve registro de feridos.

Escolta de navios

Trump anunciou um plano para que as forças de seu país escoltem navios no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira, mas o comando militar do Irã advertiu que atacará as tropas americanas se a operação for levada adiante.

O Irã fechou quase por completo a passagem pelo Estreito de Ormuz, crucial para o tráfego mundial de combustíveis, desde que Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o país em 28 de fevereiro. Em represália, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.

Trump anunciou no domingo a nova operação marítima em Ormuz, batizada de “Projeto Liberdade”, e a descreveu como um gesto “humanitário” para ajudar os marinheiros bloqueados na passagem marítima, que, segundo o presidente americano, poderiam estar ficando sem alimentos e outros suprimentos essenciais.

A partir da manhã de segunda-feira, no horário local, a Marinha americana escoltará, através do Estreito de Ormuz, navios de países “que não têm nada a ver com o conflito no Oriente Médio”, anunciou Trump no domingo.

Resposta do Irã

O Irã respondeu com ameaças às forças americanas. “Alertamos que qualquer força armada estrangeira – especialmente as agressivas forças militares americanas – será alvo de ataques se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz”, declarou o general Ali Abdollahi, do comando central do Exército iraniano.

O presidente da comissão do Parlamento iraniano responsável pela segurança nacional, Ebrahim Azizi, afirmou que qualquer “interferência” dos Estados Unidos em Ormuz seria uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.

Segundo a empresa especializada em monitoramento marítimo AXSMarine, até 29 de abril havia 913 navios comerciais de todo tipo no Golfo.

“Muitos navios sofrem com a escassez de alimentos e de tudo que é necessário para que as tripulações possam permanecer a bordo em condições adequadas”, destacou Trump.

*Com informações da AFP

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