Prepare o coração: o novo filme “O Advogado de Deus”, baseado na obra de Zíbia Gasparetto, chega com a missão nada simples de transformar um dos universos mais complexos da literatura espírita em uma experiência cinematográfica envolvente e, ao que tudo indica, profundamente emocional.
Protagonizado por Nicolas Prattes, este drama de suspense espiritual tem como fio condutor a justiça, a dos homens e a de outros planos. Dirigido por Wagner de Assis (Nosso Lar 1 e 2), o longa reúne no elenco atores de diferentes gerações como Danilo Mesquita, Lorena Comparato, Leticia Braga, Lucas Letto, Beth Goulart, Augusto Madeira, Eucir de Souza, Henri Pagnoncelli e Gisele Fróes. Com produção da Cinética Filmes, coprodução da Sony Pictures International Productions e codistribuição da Sony Pictures e Film Connection, a obra narra uma história de amor e suspense, que envolve crimes do passado e do presente.
A produção mergulha em temas universais como justiça divina, relações familiares e vidas passadas, criando uma ponte entre o mundo espiritual e o terreno. Como destacado por um dos envolvidos no projeto, a adaptação exigiu coragem: “é preciso ter uma certa dose de coragem para tomar algumas decisões”, afirma Nicolas Prattes, protagonista do filme.
O filme estreou nos cinemas no último dia 16.
Conflitos intensos e personagens marcantes
A trama acompanha personagens com objetivos semelhantes, mas trajetórias completamente diferentes, o que gera tensão constante ao longo da história. Um dos atores resume bem essa dinâmica: “são dois personagens que querem coisas muito parecidas, têm objetivos parecidos, porém cada um escolhe um caminho por onde chegar”, afirma Danilo Mesquita.
Esse contraste não só impulsiona o conflito central como também aprofunda o lado emocional do filme, especialmente quando entram em cena questões familiares e traumas do passado. Há também um forte elemento de mistério e identidade, como explica outro trecho: “é um cara que está em busca da sua própria história, de saber quem ele é”, afirma Danilo.
Espiritualidade sem rótulos
Um dos pontos mais interessantes da produção é a forma como ela aborda a espiritualidade. Longe de ser um filme religioso tradicional, “O Advogado de Deus” aposta em uma abordagem mais ampla e acessível: “o filme mostra que tem como você até ser distante da religião e viver com essa essência”, disse o diretor.
A narrativa propõe reflexões sobre justiça, escolhas e livre-arbítrio, destacando que muitas situações da vida podem ter raízes em experiências passadas. “As nossas maiores escolhas serão feitas no aqui e agora”, reforça Wagner de Assis, diretor do longa, trazendo um tom filosófico que deve conectar com diferentes públicos.
Emoção e identificação
Com relações familiares complexas, amores intensos e dilemas morais, o filme promete tocar o público em diferentes níveis. Há histórias de relações tóxicas, reconciliações e até inversões emocionantes, como quando “a filha é que acaba protegendo a mãe”, conta Beth Goulart sobre um dos momentos que deve marcar a audiência.
No fim, “O Advogado de Deus” se posiciona como mais do que um drama espiritual: é um filme sobre escolhas, consequências e evolução pessoal. Ou, como resume Lorena Comparato: “é um filme emocionante para todos”.
Wagner também aproveita para analisar sobre justiça divina e terrena.
“Não tenho a menor dúvida que as pessoas que subjugam a justiça dos homens, porque ela é falha e imperfeita como os homens, e que uma das coisas que a gente vê é a evolução da sociedade, a capacidade da aplicação econômica de sua justiça. E a gente está aprendendo, e é para isso que servem as leis, para que a gente aprenda a nos regular de uma maneira cada vez melhor”, diz.
“Mas quando a gente falha, eu não tenho a menor dúvida que alguma coisa conserta, e conserta sério, e conserta sim. A gente vai responder tintim por tintim por todos os nossos atos, queiramos ou não. Isso, na verdade, essa frase tem no livro, e é uma frase que o Chico Xavier usou muito. O André Luiz, na verdade, usava, e o Chico usava, os nossos atos vão ser nossos advogados. E aí eu acrescento, sejam advogados de defesa ou de acusação”.
Se a proposta era transformar uma obra densa em algo universal, tudo indica que o filme pode seguir o caminho de outros sucessos do gênero, e conquistar não só fãs do espiritismo, mas qualquer pessoa em busca de uma boa história com alma.





